Talvez me conheça, ou não. Varia de acordo em quem se confia. Vou lhe dizendo logo, não sou confiável, muito menos conhecido! Mas quem chega a mim... não volta mais.
Almas mortas é meu legado, minha profissão, meu ofício. Apesar do nome, não existem mortes por aqui. Todos possuem do bom e do melhor: ar puro; comida; segurança; tecnologia... Vive-se muito bem por aqui, obrigado. Confiam em mim, grande erro por sinal, é como costumo dizer: “Uma vez morto, sempre vivo”.
Tenho as piores pessoas circulando pela cidade, é por causa delas que sobrevivo até hoje, gente com alto nível de desordem social, que fizeram, e fazem, de tudo para ter poder, desde políticos corruptos a simples borracheiros. Oferecem-me suas almas e “em troca”, dou-lhes dinheiro; roupas; supérfulos; exageros e, quando realmente vale a pena, até o amor...
Apenas uma pessoa já descobriu o que faço. Nikolai Gogól... sim, lembro-me perfeitamente dele... Escreveu, ironicamente, o livro “Almas Mortas” que conta sobre minha imortalidade e cidade. De fato é bem simples, eles assinam um contrato sob efeito hipnótico e pronto! Os tenho em minhas mãos.
A preocupação, de Gogol, em regenerar as almas e o cuidado em reanimar uma ordem social, fizeram com que “ele” destruísse os livros, restando apenas o primeiro. Não me importo com Nikolai, em breve, estará comigo em Almas Mortas. São poucos os que não vem para cá. Cuidado. Você pode vir a ser o próximo morador.
Quem sou? Como pude esquecer-me? Prazer. Sou Bárbaro. Venho desde a antiguidade, especificamente na época do Império Romano que estava em queda, acabei aproveitando a oportunidade e invadi a Península Ibérica, lá, ergui a primeira Almas Mortas. Absorvi a cultura e língua da Península rapidamente, mas escolas estavam em falta. Criei, então, o conhecido Latim Vulgar, que evoluiu, juntamente comigo, e se formou a minha amada Língua Portuguesa que agora, em pleno século XXI, estão querendo mudá-la, mas isto, meus servos, é uma outra história...
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