Em minha vida toda morei em Berna, cidade pequena, moradores calmos, tudo limpo, um lugar bom de se morar. Nunca em toda sua história existiu crimes violentos ou daqueles que ganham página central no jornal, o máximo que se tem por essas bandas são assaltos. Eu, Felipe, o maior mentiroso da cidade, vivenciei o primeiro crime desta cidade ninguém acreditou em mim, tinha apenas a minha palavra, que não servia de muita coisa.
A vida era rotineira, sempre se sabia o que esperar para o dia seguinte, quando estava chato demais gostava de contar umas mentirinhas básicas, pois sempre gostei de uma boa intriga, já havia separado casais por contar que fiquei com a mulher, causei pânico na cidade por dizer que um arrastão estava para se formar, enfim, não era a pessoa mais confiável da cidade. Lembro-me ainda como se fosse ontem que estava andando pela Vila Sismo quando quis pegar um atalho até a minha casa. Um dia me deparei com uma mulher sendo estuprada e violentada, como sou curioso me escondi para ver melhor, o pânico já havia se possuído de mim, mas não consegui fazer nada, final das contas, a moça acabou morta e eu lá. Parado.
O dia seguinte foi um dos piores em Berna, todos queriam saber quem tinha feito tal brutalidade. Fui até a delegacia depor, eles anotaram tudo que falei, mas duvidava muito que tinham levado a sério. Os dias foram se passando e foi sendo esquecido o caso, apenas o que descobriram era que a moça era uma prostituta e que não tinha família, por isso não foram mais fundo com o caso, mais assassinatos foram acontecendo, e parecia que era feito por um especialista, de dia ele simplesmente sumia e a noite ele era a pessoa mais temida do mundo. Certo dia em que cheguei em casa vi o carro da policia parado em frente da mesma, e fiquei sem saber o que fazer. Entrei. O policial veio e me algemou. Perguntei o que estava acontecendo e ele ficou calado, na delegacia o chefe veio com a historia mais maluca que alguém, um dia, poderia ter criado.
Na sala de interrogação, uma psicóloga entrou em cena e disse que tinha o que uma pequena porcentagem de pessoas tinha, dupla personalidade. O policial disse que a descoberta foi devido ao meu próprio depoimento. Quando fiz o auto-retrato da pessoa, não tinha percebido em como ele era idêntico a mim. Durante toda minha vida vivi de mentiras e sempre me dei bem, agora, quando resolvi falar a verdade, ela se volta contra mim. Por isso que, nesse momento, enquanto lhe narro minha história, eu prometo com minha vida que serei o maior mentiroso da historia. Não vou falar mais a verdade nunca mais, pois só perdi com ela.
Se fosse você, faria o mesmo.